Férias no Peru – Dia 7 – 11 de maio de 2025 – Laguna 69
Enfim, havia chegado o dia do passeio que motivou nossa ida para Huaraz, fugindo do roteiro Lima/Cusco/Machu Picchu, normalmente realizado por quem vai pela primeira vez ao Peru.
Era o dia de conhecer a temida Laguna 69.
Dez de dez blogs que visitamos falavam sobre a beleza da Laguna 69, e também sobre a dificuldade de alcança-la. Afinal, são 7 km de trilha até chegar à altura de 4.604 metros, onde ela se encontra.
Obviamente, o receio de não conseguir terminar o percurso povoou nossa mente desde o dia em que decidimos embarcar nessa aventura. Por conta disso, a todo momento pesquisamos sobre o que poderíamos fazer para superar os desafios da trilha da Laguna 69, como distância, ar rarefeito, o mal de altitude etc.
Preparativos
Cerca de dois meses antes da viagem, fizemos algumas caminhadas aqui na nossa cidade, subindo as ladeiras mais íngremes que encontramos. E com um mês antes, caminhávamos mais ou menos 5km na esteira, com inclinação entre 5% e 8%, pelo menos três vezes na semana.
Já em Huaraz, cidade-base para os passeios no Parque Nacional Huascarán, reservamos o primeiro dia para aclimatação, e o segundo dia para uma trilha leve, preparatória.
Seguimos as orientações para mantermos uma alimentação leve na noite anterior, tomamos (sob orientação) um medicamento para evitar o mal de altitude. Agora era colocar a prova nosso planejamento para conhecer a Laguna 69.
O grande dia
Saímos do hotel em Huaraz às 4h da manhã.

O lanche disponibilizado pelo hotel estava no balcão da recepção. Desta vez, nenhum hospede pegou “por engano” nossos pacotes, como ocorrera antes.
A estrada é a mesma que percorremos para a Laguna Paron no dia anterior, porém, não chegamos até Caraz. Em Yungay acessamos a rota para a Laguna 69.
Após 25km de estrada, a maior parte de cascalho porém sem sacolejar tanto quanto para ir até a Laguna Paron, chegamos à Laguna Llanganuco, no Parque Nacional Huascarán. O relógio marcava 6:15h. Ali paramos para o nosso café da manhã e fotos da laguna.


O Mario, nosso guia, fez ali, na hora, um chá de folha de coca para nos preparamos para a trilha.


A Laguna Llanganuco é um conjunto de dois lagos glaciais (Chinancocha e Orconcocha) localizados na Cordilheira Branca, a 3.850 metros de altitude.
Logo após os dois lagos fica zona de acampamento Cebolla Pampa Campground, frequentado por quem vai curtir apenas a Laguna Llanganuco ou seguir para as lagoas montanha acima (Laguna 69, Laguna Brogui).
Depois de estacionar o carro perto do início da trilha, iniciamos nosso trekking de 7km para Laguna 69, às 7h.

Mas, por que Laguna 69?
O Parque Nacional Huascarán possui mais de 400 lagoas catalogadas e numeradas. Ao invés de nomear cada uma delas, mantiveram o número como referência.
A trilha
O começo da trilha foi tranquilo, apesar de já estarmos em altitude elevada. Os primeiros 2km são em terreno com algumas pedras e pouco relevo, passando por pastagens e alguns riachos cercados por altas montanhas.






Esse trecho fizemos em 30 minutos.
Subindo em ziguezague
Passando um conjunto de construções de pedra é onde começa a subida, ainda com pouca inclinação.


Na sequência vem a subida mais puxada, em ziguezague.



Ali, começamos a sentir um pouco de formigamento nas pontas dos dedos das mãos.
Não fizemos muitas paradas, do tipo sentar para descansar. Ainda não era para tanto. Apenas para um gole de água, algumas fotos e continuamos.


Porém, já próximo do final do ziguezague, fizemos algumas pausas mais longas porque começava uma fadiga na parte de trás das coxas.
Enquanto isso, passou por nós um grupo de 5 ou 6 pessoas, corredores de montanha, como se estivessem correndo ao nível do mar em um parque urbano.
Entre o km 5 e 6, logo após o ziguezague, pegamos uma garoa bem forte. E com ela veio um vento frio e cortante. As mãos, mesmo com luvas, doíam devido à baixa temperatura.

Terminada a subida, chegamos nela, a Laguna 68!

Sim, Laguna 68, ou Laguna Consuelo (Consolo). Recebeu esse nome para brindar aqueles que venceram toda a subida até ali, mas não seguiriam o trecho final até a Laguna 69.
Quer dizer que tem mais? Sim, pelo menos mais 1 hora de trilha morro acima.

A chuva havia parado. Fizemos uma pausa para descansar e recuperar o fôlego. Nem passou pela nossa cabeça em nos contentarmos com a Laguna Consuelo. Comemos alguma coisa e seguimos nosso trekking.
O último ganho de altitude
O último trecho, um novo ziguezague, já cansados e cada vez mais alto, foi bem desgastante.


Precisamos fazer muito mais paradas do que naquela subida até a Laguna Consuelo com chuva e tudo o mais. Não sentimos falta de ar, mas o corpo pedia por mais oxigênio. As pernas estavam pesadas e doloridas.
Restando uns 5 minutos para chegarmos ao topo da trilha, o guia passou na nossa frente para nos “puxar”, dar aquela incentivada, senão ficaríamos parando a cada minuto pra descansar e não terminaríamos nunca.
Finalmente, após exatas 3h07minutos, chegamos na Laguna 69.

Exaustos, é bem verdade, mas maravilhados com o cenário que esperava por nós.
Defrontar aquela lagoa de coloração azul-turquesa, alimentada por geleiras, valeu todo o sacrifício para chegar até lá.


Mesmo com o céu nublado, a Laguna 69 estava exuberante, só para nós. Não havia mais ninguém por vários minutos.

Pouco a pouco chegaram mais trilheiros. Comemos nosso lanche, descansamos um pouco e pegamos a mesma trilha de volta para onde o carro havia ficado estacionado.
A descida não teve tantos percalços. Choveu um pouco naquele mesmo ponto após o ziguezague, mas sem vento. Conforme a altitude diminuía, havia mais oxigênio, mais energia.
Sem praticamente nenhuma parada, fizemos o caminho de volta em 2h04 minutos.



Quase chegando no carro, veio uma chuva mais forte, mas conseguimos escapar por pouco.
O visual da Cordilheira Branca não foi o melhor, pois ela ficou encoberta por nuvens durante as mais de 5h do passeio. No entanto, superar os nossos limites e estar frente a frente com a Laguna 69 foi demais!
Questionamentos e respostas:
- A trilha é difícil? Sim, é bastante exigente.
- Precisa ser atleta para chegar ao final? De modo algum. Precisa de foco, vontade, algum preparo e cuidados prévios.
- É possível fazer sem guia? Sim, mas não aconselhamos. O guia está preparado para qualquer adversidade e primeiros-socorros. Lembre-se, é uma trilha longa e de altitude, cenário que nosso organismo não está acostumado. Contrate um trekkinhg guiado aqui!
Após uma parada no camping para usarmos o banheiro, partimos de volta para Huaraz, onde chegamos por volta das 16h.
Depois de um banho bem quente, descansamos até o horário do jantar, quando fomos ao restaurante Manka e comemos uma pizza.

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