Update: Caminhada na Serra do Mar

Postagem original: 21/09/2014 – Informação atualizada: 18/04/2016

Trilha pela Estrada Velha de Santos. 

Outro dia estávamos na Decathlon de Campinas e vimos que lá tem uma agência de ecoturismo. Sem tempo de parar ali para conhecer seus roteiros, deixamos para pesquisar no site deles.

Chamou a atenção alguns passeios de um dia inteiro, realizados aos domingos. Num segundo semestre pobre de feriados que se juntam aos finais de semana, o negócio é fazer esses passeios bate-volta.

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E o passeio mais próximo era esse: Caminhada na Serra do Mar, dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. O projeto chamado Ecoturismo Caminhos do Mar, idealizado pela EMAE – Empresa Metropolitana de Águas e Energia e gerenciado pela Fundação Energia e Saneamento, permite o contato do público neste trecho da Serra do Mar, com apoio de guias que explicam a história da estrada e dos monumentos ali encontrados.

INFORMAÇÃO ATUALIZADA:

Desde 1º de dezembro de 2015, o projeto Ecoturismo Caminhos do Mar passou para a gestão da Fundação Florestal. Os agendamentos podem ser feitos pelo telefone (11) 2997-5000 – ramal 356. Maiores informações pelo e-mail fflorestal@fflorestal.sp.gov.br.

O nome oficial da estrada é Rodovia Caminho do Mar – SP-148, também conhecida como Estrada Velha de Santos. A caminhada começa no município de São Bernardo do Campo, no km 42, e termina em Cubatão, pouco antes do Km 52. São aproximadamente 9 km de caminhada, que pode ser feito apenas descendo, somente subindo, ou mesclando subida e descida.

A caminhada não é recomendada para idosos e crianças abaixo de 7 anos, devido a distância e ao grau de inclinação da estrada, que possui muita declividade e subida íngreme. Pessoas com dificuldade de locomoção, problemas em joelhos, tornozelos e pé também devem evitar o percurso.

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Como chegar no projeto Ecoturismo Caminhos do Mar

Por São Bernardo do Campo – Rodovia SP-148, estrada Caminho do Mar, km 42

Por Cubatão – Rodovia SP-148, estrada Caminho do Mar, km 51, junto à Refinaria Presidente Bernardes.

Mapa do percurso, do alto da serra até a planície. Foto: Google Maps.

Mapa do percurso, do alto da serra até a planície.
Foto: Google Maps.

Para a visitação o agendamento é obrigatório através do telefone (13) 3372-3307 ou pelo e-mail caminhosdomar@caminhosdomar.org.br.

A entrada pode ser feita entre 9h e 9h30min, e a saída até as 16h.

Grupos fechados fazem o trajeto inteiro, seja descendo ou subindo, percorrendo os 9 km da estrada. Se entrou por São Bernardo do Campo, sairá por Cubatão, e vice-versa. Não há como fazer o trecho inteiro, ida e volta, num mesmo dia.

Visitantes avulsos percorrem apenas metade do caminho, seja entrando por São Bernardo do Campo e descendo a Serra, seja entrando por Cubatão e subindo a Serra. A caminhada vai até o monumento chamado Padrão do Lorena e depois volta. Neste caso, os visitantes entram e saem pela mesma portaria.

A nossa aventura começou ainda em Campinas, no estacionamento da Decathlon, de onde sairia a excursão. No dia anterior chegamos a ligar na agência para confirmar o passeio, pois o tempo estava bem feio. Nublado e chovendo.

Com o passeio confirmado, 7h da manhã entramos em um ônibus semi-leito, com sinal wifi e tudo o mais, rumo à Serra do Mar. Esperamos alguns minutinhos por uma pessoa que não compareceu e logo pegamos a estrada.

O ruim do trajeto de ida é que não houve nenhuma parada na estrada para tomar um cafezinho ou comer alguma coisa. Mas para isso havia uma explicação, até então por nós desconhecida: o horário de entrada no parque.

Chegamos à portaria em São Bernardo do Campo no limite do horário: 9h30min. Até então estava uma garoa fininha.

Após colocarmos nossa pulseira de identificação e vestirmos nossas capas de chuva, seguimos até a primeira parada do passeio, a Casa de Visitas do Alto da Serra.

Por incrível que pareça, foi começar a caminhada e a chuva começou a cair forte!

Início da caminhada sob forte chuva e neblina.

Início da caminhada sob forte chuva e neblina.

Galera caminhando a chuva.

Galera caminhando a chuva.

Divisa de municípios.

Divisa de municípios.

Chuva, muita chuva!

Chuva, muita chuva!

A calça já estava ensopada. Por sorte, estávamos com botas impermeáveis.

A calça já estava ensopada. Por sorte, estávamos com botas impermeáveis.

Na Casa de Visitas há uma maquete de toda a bacia hidrográfica de São Paulo e uma exposição sobre a Usina Henry Borden, onde os monitores explicam a história e o funcionamento da Usina. Enquanto aprendíamos sobre a Usina e a região, a chuva deu um tempo.

Casa de Visitas do Alto da Serra.

Casa de Visitas do Alto da Serra.

Monitores explicando sobre a Usina e região da Serra.

Monitores explicando sobre a Usina e região da Serra.

Maquete da hidrografia de São Paulo.

Maquete da hidrografia de São Paulo.

Jardim ao fundo da Casa de Visitas.

Jardim ao fundo da Casa de Visitas.

Casa de Visitas do Alto da Serra.

Casa de Visitas do Alto da Serra.

No local também tem bebedouro e sanitários.

Assim que retomamos nossa caminhada Serra abaixo pela Estrada Velha de Santos, a chuva se fez presente e nos acompanhou até o próximo monumento da estrada: o Pouso Paranapiacaba.

A estrada possui alguns monumentos em homenagem ao Centenário da Independência do Brasil, construídos na gestão do governador Washington Luís (1920- 1924).

O Pouso Paranapiacaba é um sobrado construído com pedras, tijolos e elementos de granito lavrado e circundado por varandas. A pintura em seus azulejos retrata as estradas do Estado existentes na época. O local era um antigo ponto de parada de carros durante a viagem entre São Paulo e Santos.

Pouso Paranapiacaba.

Pouso Paranapiacaba.

Pouso Paranapiacaba.

Pouso Paranapiacaba.

Pouso Paranapiacaba.

Pouso Paranapiacaba.

Azulejos pintados com o mapa das estradas da época.

Azulejos pintados com o mapa das estradas da época.

Placa indicativa no Pouso Paranapiacaba.

Placa indicativa no Pouso Paranapiacaba.

Com tempo bom a paisagem é bem menos cinza.

Com tempo bom a paisagem é bem menos cinza.

Pouco à frente existe uma casa em ruínas, chamada de Ruínas do Pouso, supostamente utilizada pelos trabalhadores que construíram os monumentos na estrada.

Ruínas do Pouso.

Ruínas do Pouso.

Ruínas do Pouso.

Ruínas do Pouso.

Ruínas do Pouso.

Ruínas do Pouso.

Mais um pouco de caminhada e chegamos a dois atrativos que ficam quase que um de frente para o outro. Ao lado direito está a Calçada do Lorena, e ao lado esquerdo o Belvedere Circular.

E tudo seguia cinza.

E tudo seguia cinza.

Consegue avistar o mar? Nós também não!

Consegue avistar o mar? Nós também não!

Antes dos monumentos, passamos pela tubulação de água que abastece a Usina.

Dutos de água da Usina.

Dutos de água da Usina.

A Calçada do Lorena foi primeira estrada pavimentada (com pedras) do Estado de São Paulo. Até então, subir e descer a Serra do Mar só era possível através de trilhas abertas pelos índios, o que dificultava bastante o transporte de mercadorias. E foi para facilitar o escoamento da produção de açúcar do interior do Estado de São Paulo até o Porto de Santos que a Calçada do Lorena foi construída, sendo inaugurada em 1792.

Calçada do Lorena.

Calçada do Lorena.

Calçada do Lorena.

Calçada do Lorena.

A Calçada tem também seu registro na historia do Brasil: foi por ela que Dom Pedro I subiu de Santos para São Paulo e, à altura do riacho Ipiranga, deu o famoso grito que proclamou a Independência do Brasil.

Logo em frente está o Belvedere Circular, um mirante circular feito de pedras e tijolos. Usado também como parada de carros.

Belvedere Circular.

Belvedere Circular.

Belvedere Circular.

Belvedere Circular.

Em dias de tempo bom, é possível descer um trecho pela Calçada do Lorena. No nosso caso, com muita chuva e neblina, tivemos que seguir pela estrada mesmo.

Trecho original da Calçada do Lorena.

Trecho original da Calçada do Lorena.

A próxima parada foi no KM 47, na construção chamada de Rancho da Maioridade, que foi ponto de descanso e reabastecimento durante a viagem entre São Paulo e Santos.

Rancho da Maioridade.

Rancho da Maioridade.

Rancho da Maioridade.

Rancho da Maioridade.

Rancho da Maioridade.

Rancho da Maioridade.

Símbolo da Corte Portuguesa, no Rancho da Maioridade.

Símbolo da Corte Portuguesa, no Rancho da Maioridade.

Ao redor de sua varanda existe um painel de azulejos pintados que representam a subida da Serra por figuras políticas ilustres do século XIX.

Azulejos pintados no Rancho da Maioridade.

Azulejos pintados no Rancho da Maioridade.

Nessa parada aproveitamos para fazer um lanchinho e quem quisesse, para usar o banheiro.

Placa indicativa no Rancho da Maioridade.

Placa indicativa no Rancho da Maioridade.

Conforme estávamos mais perto da planície a neblina dissipava, e as vezes era possível avistar o mar e as cidades litorâneas, assim como o Terminal da Transpetro em Cubatão. Mas logo a chuva voltava e fechava o tempo.

Terminal da Transpetro encoberto pela neblina.

Terminal da Transpetro encoberto pela neblina.

Rancho da Maioridade.

Rancho da Maioridade.

Caminhamos mais uns 200 metros e chegamos ao último monumento antes da planície: o Padrão do Lorena, construído em homenagem a Bernardo José Maria de Lorena, governador-geral da extinta Capitania de São Paulo. Seus azulejos ilustram cenas do século XVIII, como tropeiros e mulas carregando mercadorias.

Padrão do Lorena.

Padrão do Lorena.

Padrão do Lorena.

Padrão do Lorena.

Em frente ao monumento está o único trecho que sobrou do calçamento original, feito todo em com pedras.

Azulejos no Padrão do Lorena.

Azulejos no Padrão do Lorena.

Esse ponto é praticamente o meio do caminho. Grupos avulsos que estejam descendo, devem pegar o caminho de volta e seguir para a portaria de entrada em São Bernardo do Campo. Grupos avulsos que estiverem subindo, devem pegar o caminho contrário e seguir para a entrada em Cubatão.

Dali nós seguimos sem mais nenhuma parada, passando por algumas cachoeiras ao lado esquerdo e precipícios ao lado direito da estrada, até chegarmos, finalmente, no penúltimo monumento da Estrada Velha de Santos: o Pontilhão da Raiz da Serra.

E dá-lhe cainhada debaixo de chuva.

E dá-lhe cainhada debaixo de chuva.

Um dos raros momentos sem chuva na Estrada Velha de Santos.

Um dos raros momentos sem chuva na Estrada Velha de Santos.

Cachoeira ao lado da Estrada.

Cachoeira ao lado da Estrada.

Não se pode entrar nas cachoeiras. Com sol, a vontade de entrar deve ser grande.

Não se pode entrar nas cachoeiras. Com sol, a vontade de entrar deve ser grande.

Paisagem na Estrada Velha de Santos.

Paisagem na Estrada Velha de Santos.

Agora, o terminal de Cubatão um pouco mais visível.

Agora, o terminal de Cubatão um pouco mais visível.

Mais uma cachoeira.

Mais uma cachoeira.

Paisagem, sendo possível ver a cidade ao fundo.

Paisagem, sendo possível ver a cidade ao fundo.

Caminhada na Estrada Velha da Serra do Mar.

Caminhada na Estrada Velha da Serra do Mar.

Terminal da Transpetro.

Terminal da Transpetro.

O Pontilhão da Raiz da Serra originalmente marcava o início da subida da Serra.Pouco mais a frente está a Casa de Apoio ao Visitante, nosso ponto de chegada. E ponto de partida para quem subirá a Serra.

Pontlhão da Raiz da Serra.

Pontlhão da Raiz da Serra.

Pontlhão da Raiz da Serra.

Pontlhão da Raiz da Serra.

Placa no Pontlhão da Raiz da Serra.

Placa no Pontlhão da Raiz da Serra.

Placa indicando que a estrada foi a primeira estrada de rodagem pavimentada do Brasil.

Placa indicando que a estrada foi a primeira estrada de rodagem pavimentada do Brasil.

Minhas panturrilhas e joelhos estavam reclamando muito. Nem tanto pela distância percorrida ou pelo trajeto íngreme, e sim pela tensão em descer toda a Serra em piso molhado, temendo algum escorregão. Não via a hora de subir para o ônibus. No total foram 3h24min de caminhada, incluindo as paradas para lanche e para as explicações dos monitores.

A visão do paraíso: nosso ônibus nos aguardando.

A visão do paraíso: nosso ônibus nos aguardando.

Mais a frente está o último monumento da Estrada Velha de Santos: o Cruzeiro Quinhentista, que marca a chegada dos portugueses no litoral vicentino e as primeiras vias de ligação entre o litoral e o planalto paulista. Mas como passamos por ele já dentro do ônibus, não foi possível nenhuma foto.

Dali seguimos para Santos, onde teríamos o almoço incluso no passeio. O local de parada foi na Churrascaria Villa de Santos, na Avenida Presidente Wilson. Chagamos lá por volta das 14h20min.

Churrascaria Villa de Santos.

Churrascaria Villa de Santos.

O local oferece bancada de frios, saladas e pratos quentes, massa preparada na hora e rodízio de carnes. Teríamos ali até 16h30min para a refeição. Como terminamos nossa refeição bem antes disso, fomos caminhar um pouco (mais??) no Parque Municipal Roberto Mario Santini, a beira mar, com pista de patins, ciclo-faixa, pista de cooper, pista de skate etc. Mas com as pernas bem doloridas, fomos até o final do parque e já seguimos para o ônibus.

Monumento na Av. Pres. Wilson, em Santos.

Monumento na Av. Pres. Wilson, em Santos.

Litoral de Santos.

Litoral de Santos.

Monumento no Parque Municipal.

Monumento no Parque Municipal.

Pontualmente às 16h30min o ônibus iniciou a jornada de retorno para Campinas, aonde chegamos por volta de 19h20min.

O saldo do passeio foi bom, apesar do tempo fechado e chuvoso na maior parte do tempo. As belas paisagens que procurávamos quando contratamos o passeio não puderam ser vistas e fotografadas. Logo, teremos que repetir o passeio.

E como sempre acontece, na segunda-feira estava céu azul e sol radiante!